ADELANTE LA FE

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Dessacralização do sacerdócio

16/02/2016 -Escrito por German Mazuelo-Leyton

Deus chama o sacerdote, e Deus o consagra. É somente então quando, recebidas todas as graças necessárias, o sacerdote pode desempenhar seu sublime ofício, que consiste em atrair para os homens os favores divinos, oferecendo por sua vez a Deus os dons e sacrifícios dos homens: dons, ou seja, todas as oferendas não cruentas, as orações em especial, e sacrifícios: porque o ato essencial do sacerdócio é o sacrifício no sentido estrito da palavra, ou seja, a imolação de uma vítima.
No Antigo Testamento os sacerdotes receberam da parte de Deus poder e autoridade para o exercício de suas sagradas funções, no entanto, como diz a Sagrada Escritura «que são sombras das coisas futuras» (Col 2, 17); o poder e a autoridade dos sacerdotes da Antiga Aliança são só figura e sombra em comparação com o poder e a autoridade outorgadas por Nosso Senhor Jesus Cristo aos sacerdotes da Nova Aliança.

«O sacerdote é, com efeito, por vocação e mandato divino, o principal apóstolo e infatigável provedor da educação cristã da juventude; o sacerdote abençoa em nome de Deus o matrimônio cristão e defende sua santidade e indissolubilidade contra os atentados e descaminhos que sugerem ganância e sensualidade; o sacerdote contribui de modo mais eficaz à solução, ou, pelo menos, à mitigação dos conflitos sociais, pregando a fraternidade cristã, recordando a todos, os mútuos deveres de justiça e caridade evangélica, pacificando os ânimos exasperados pelo mal-estar moral e econômico, assinalando aos ricos e aos pobres os únicos bens verdadeiros pelo qual todos possam e devam aspirar; o sacerdote é, finalmente, o mais eficaz pregador da cruzada de expiação e da penitência à qual convidamos todos os bons para reparar as blasfêmias, desonestidades e crimes que desonram a humanidade nesta época presente tão necessitada da misericórdia e perdão de Deus, como poucas na história.

Pois bem, os inimigos da Igreja conhecem bem a importância vital do sacerdócio; e por isto, contra eles precisamente, (…) acertam, diante de todos, seus golpes, para tirar-lhes do meio e chegar assim, desembaraçando o caminho, à destruição sempre desejada e nunca conseguida da Igreja».

«O Sacramento da Ordem nos permite receber todos os outros sacramentos. Se compararmos os sacramentos com as veias que correm através da Igreja, este sacramento em particular é como a artéria principal. Se não existisse, tampouco teríamos bispos e sacerdotes, e não poderíamos receber os outros sacramentos».

«O sacerdote é o continuador no mundo da missão do Salvador. Esta é a razão do porquê o Senhor não escolheu os benfeitores de sua graça entre os anjos, por puros que sejam e por muito amor que lhe professem, mas precisamente entre os homens… Todo ministro de Cristo deve ter sempre esta disposição de espírito, porque, em virtude de sua ordenação, foi consagrado, como Jesus, “para as coisas que convém ao Pai” (Lc 2, 49), aos interesses do reino celestial entre os homens».

Porém, hoje o sacerdote perdeu a aura misteriosa, sublime, angélica, que possuia antigamente sobretudo entre as pessoas simples, que beijavam sua mão em cada oportunidade, iam a ele em busca de um conselho acertado, punham sua confiança na intimidade com o ministro de Deus, veneravam sua apresentação de batina que lhes apresentava a um homem de Deus.

Diante de um sacerdote assim era mais fácil para os crentes ajoelharem-se e confessar os pecados, era mais fácil para eles -quando participavam da Santa Misa- tomavam consciência da unção do Espírito concedida à mãos e ao coração do sacerdote mediante o sacramento da ordenação.

O Pobrezinho de Assis por veneração pelos sacerdotes, não só se ajoelhava diante deles, mas por veneração beijava os cascos dos cavalos que tinham transportado o homem de Deus.

A guerra contra o altar, e por fim contra o sacerdócio, não perdeu força.

«O Demônio é muito astuto. O Demônio é o pai da mentira, ele sabe que se puder atacar o sacerdócio isto afetará a Igreja inteira. Um sacerdote é um ser humano, um homem com pecados, é tão humano como qualquer um de nós. Por isso Satanás faz qualquer coisa para enganar os sacerdotes. Quando um sacerdote cai ou se envolve em um escândalo, os jornais publicam como notícia de oito colunas. Por que fazem isto? Eles jamais publicariam as coisas boas que fez esse sacerdote. Satanás os quer desmoralizar, e os católicos são muito tontos quando minimizam o sacerdócio, porque isto nos afeta a todos. Ninguém morrre de fome pelo Pão da Vida –só nós. O Sacramento da Ordem é o sacramento que é dado aos homens escolhidos por Deus para que eles por sua vez, nos transmitam a vida divina».

A batina do sacerdote identifica o homem que segue espetacularmente Jesus em suas rotas de santidade e pelo cumprimento de sua missão de salvação, mas, nas últimas décadas se tem desvanecido este retrato do sacerdote, como perdem cor e claridade as fotografias velhas colocadas veneravelmente sobre a cômoda familiar.

Alguém dizia: «Muitos consagrados começaram vestindo a batina, passaram depois ao clergyman; depois somente uma pequeníssima cruz na lapela mantinha a identificação, e agora já não restou indicativo algum. Chego um pouco antes de começar a Santa Missa e observo que um indivíduo trajado vai repartindo beijos às mulheres e resulta que é o padre que revestido depois da alva e estola começa a celebração eucarística».

A vestimenta secular do clero é um dos sussurros do diabo, dizem que, para «agradar» as pessoas, serem populares, ainda que a norma do Apóstolo seja o contrário: «se ainda eu tratasse de agradar aos homens, não mais seria servo de Cristo» (Gal 1, 10).

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«Em uma sociedade secularizada e tendenciosamente materialista, onde tendem a desaparecer inclusive os sinais externos das realidades sagradas e sobrenaturais, particularmente se sente a necessidade de que o presbítero -homem de Deus, administrador de Seus mistérios- seja reconhecido aos olhos da comunidade, também pela roupa que veste, como sinal inequívoco de sua dedicação e da identidade de quem desempenha um ministério público. O presbítero deve ser reconhecido sobretudo, por seu comportamento, mas também pelo modo de vestir, que se manifeste de modo imediatamente perceptível para todo fiel -mais ainda, para todo homem- sua identidade e sua pertença a Deus e à Igreja».

Os modernistas promovem a dessacralização do sacerdócio católico, buscando uma desvinculação do presbiterado com o celibato, fomentando uma mundanização do clero, porque segundo estes, o sacerdócio ministerial é unicamente uma função de serviço comunitário.

João Paulo II disse que «não é possível fechar os olhos, diante da onda do materialismo, hedonismo, ateísmo teórico e prático, que dos países ocidentais, tem se voltado sobre o resto do mundo». É principalmente nas nações opulentas descristianizadas do «primeiro mundo» ocidental, onde teve origem essa desacralização e todas as outras.

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Nosso Senhor Jesus Cristo exigiu de seus apóstolos a renúncia a todos os afetos terrenos. Pedro e outros dos Doze eram casados, mas renunciaram a tudo para seguir Jesus, e eles deveriam ser modelos para todos os sacerdotes que chegassem depois deles.

Outra das tentações do maligno, é justamente a de querer desviar essa entrega total ao Mestre pela vida conjugal.

Então, alguns destes presbíteros brincam de esconde-esconde, vivendo em um lugar como sacerdotes e em outro como casados. Esse fato revela duas realidades importantes: primeira o difícil, o impossível –segundo muitos- de viver o celibato sem a companhia de mulheres, porém não se esqueçam que existem milhares de sacerdotes católicos no mundo, dos quais a maioria vive seu celibato com veneração, com entusiasmo e com contínuas lutas.

A finalidade da nossa existência terrestre é amar a Deus. É o grande mandamento.

Mas não se esqueçam tampouco que é uma glória para a Igreja, que em um mundo tão corrompido sexualmente, em que poucos casados poderão afirmar que vivem seu matrimônio fielmente, existam dezenas de milhares de homens impelidos em viver o melhor possível seu voto de castidade.

German Mazuelo-Leyton
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