THE REMNANT

Francisco descobre a heresia (enquanto a confirma)
24/06/2016 – Escrito por Christopher A. Ferrara

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Já há três anos Francisco tem se dedicado a torturar os sentidos dos católicos e a perturbar suas mentes com uma inacabável série de sermões heterodoxos e «meditações» perversas das Escrituras, a maioria delas compartilhadas da capela de sua choupana no hotel de cinco estrelas da Casa Santa Marta. O espetáculo diário raia já no cômico:

1. Jesus tão só «pretende estar chateado» com seus discípulos.
2. O menino Jesus “provavelmente teve que pedir perdão” a Maria e a José por suas «pequena traquinagem» no templo.
3. São Paulo declarou: «faço alarde unicamente de meus pecados» (aparentemente confundindo São Paulo com Martinho Lutero).
4. Quando Maria se encontrava ao pé da cruz «indubitavelmente quis dizer ao anjo: “Mentiroso! Enganaste-me.”».
5. No confessionário «não é porque contamos nossos pecados e Deus nos perdoa. Não, não é isso! Buscamos Jesus e lhe dizemos “este é teu pecado, e pecarei de novo”».
6. A torre de Babel foi um «muro» que simboliza a xenofobia.
7. No juízo final, diante d’Ele, Deus não perguntará se fomos à missa.
8. Os sacerdotes deveriam dar absolvição inclusive para pessoas que «temem» revelar seus pecados porque a «linguagem dos gestos» é suficiente (animando assim as absolvições inválidas).
9. Mateus resistiu ao chamado de Jesus Cristo e se agarrou ao seu dinheiro— «Não, eu não! Não, este dinheiro é meu».
10. Os Evangelhos são somente uma «reflexão» sobre «a conduta» de Jesus Cristo porque a Igreja «não dá aula de amor e misericórdia» (Essa é a obrigação de Francisco!).
11. O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes «é mais que» uma multiplicação, é um compartilhamento animado pela fé e pela oração».

E continua ad infinitum; estes são tão só alguns exemplos que me vêm à mente e não seguem nenhuma ordem cronológica. O fato de que Francisco é viciado em dizer o que vem na cabeça e não o que a Igreja ensina, se converteu não só no primeiro Papa que é, literalmente, uma fonte de erro mas também em um exemplo vivo e contínuo da razão pela qual a infalibilidade papal foi tão cuidadosamente colocada pelo Primeiro Concílio Vaticano delimitando-a com o objeto de limitá-la ao limitado âmbito das definições dogmáticas.
Mas nesta semana nos caiu algo novo, inclusive para Francisco. Eis aqui, o sermão da Casa Santa Marta de 9 de junho (a tradução do italiano é bastante exata):

«Este é o realismo saudável da Igreja católica, a Igreja jamais nos ensina “ou isto ou aquilo”. Isso não é católico. A Igreja nos diz “isto e aquilo”. Diz “busca a perfeição, reconcilia-te com teu irmão. Não o insultes. Ame-o. Se por acaso existir algum problema quanto menos resolver as diferenças e assim evita que se desate a guerra”.

Este é o realismo saudável do catolicismo. Não é católico dizer “ou isto ou nada”. Isso não é catolicismo, é heresia. Jesus sabe sempre como acompanhar-nos, nos dá o ideal, nos acompanha para o ideal. Nos liberta da rigidez das cadeias da lei e nos diz: Cumpre com isso, mas só na medida que te for possível. E nos entende perfeitamente bem. É Nosso Senhor e isso é o que nos ensina».

Estas são, por certo, sandices. Mas, o pior é que essas declarações:
a) são «heresias» que um católico diga «ou isto ou nada» a respeito da lei moral;
b) que a Igreja é «realista» no que concerne a aplicação dos preceitos morais;
c) que Jesus nos dá unicamente «um ideal» para o qual Ele meramente nos acompanha e requer a obediência tão «somente na medida em que for possível» e
d) que este é o ensinamento de Deus, e —tomando-os individualmente ou em seu conjunto— em si mesmas obviamente heréticos.

Como o faz notar RorateCaeli, em Veritatis Splendor João Paulo II declarou, apesar de Francisco, que:

«Seria um erro gravíssimo concluir… que a norma ensinada pela Igreja é em si mesma um “ideal” que tem que ser depois adaptado, proporcionado, graduado as —se diz— possibilidades concretas do homem: segundo um “equilíbrio dos vários bens em questão”… em troca é inaceitável a atitude de quem faz de sua própria debilidade no critério da verdade sobre o bem, de maneira que se pode sentir justificado por si mesmo, inclusive sem necessidade de recorrer a Deus e a sua misericórdia.

Semelhante atitude corrompe a moralidade da sociedade inteira, porque ensina a duvidar da objetividade da lei moral em geral e a rechaçar as proibições morais absolutas sobre determinados atos humanos, e termina por confundir todos os juízos de valor».

É de notar que em Amoris Laetitia o escritor fantasma de Francisco —o pirado arcebispo Víctor «Cura-me com tua boca» Fernandez— parece ter uma preferencia pela palavra «concreto» no contexto da lei moral: «condições concretas» (26, 31), «realidades concretas» (31), «preocupações concretas» (36), «circunstâncias concretas» (175), «as realidades concretas da vida familiar» (203), «preocupações concretas das famílias» (204), «as exigências concretas da vida» (223), «os assuntos concretos com o que enfrentam as famílias» (229), «a situação concreta» (301), «a vida concreta de um ser humano» (304) e, no mesmo ritmo do sermão heterodoxo desta semana, «a complexidade concreta de nossos limites» (303).

É assim mesmo significativo que Amoris adota precisamente o critério que João Paulo II rechaçou, de acordo com a tradição: utilizar «a debilidade própria» na aplicação da lei moral. Há que recordar igualmente que o infame oitavo capítulo daquele vergonhoso documento está descaradamente intitulado «Acompanhar, discernir e incorporar a fragilidade».

No entanto, há que buscar o lado bom das coisas: quando menos Francisco ainda reconhece o conceito de heresia. A única coisa que faz falta é que aprenda a aplicar à heresia autêntica. Seu sermão de 9 de junho poderia ser um bom início.

Desculpo-me por minha falta de seriedade, mas merece por acaso outro tom este assunto nestas alturas? Nos encontramos mais que adentrados no extravagante, temos cruzado já o território do absurdo. Não posso crer que existam católicos honestos que ainda tomem este pontificado a sério em nenhum de seus aspectos, que não seja o do perigo que sua incongruência representa para a integridade da missão da Igreja.

Christopher A. Ferrara

[Tradução de Enrique Treviño. Artigo original]
http://adelantelafe.com/francisco-descubre-la-herejia-la-afirma/

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